O último dia da antiga Estação Tamanduateí

Placa da Estação Tamanduateí original

Placa da Estação Tamanduateí original

Nos jornais de 21 de setembro de 2010, o grande destaque do noticiário de transportes foi a inauguração da Estação Tamanduateí do metrô, que teria integração com a então nova Estação Tamanduateí da CPTM. (Falo dos jornais, porque na manhã daquele dia o destaque dos portais da Internet foi a paralisação da Linha 3 do Metrô.) Essa nova estação na Linha 10-Turquesa da CPTM significava que a estação antiga, erguida em 1964 com o nome de Parada Vemag, seria desativada. Enquanto a estação de metrô ainda ficaria em operação assistida por quase um ano, a da CPTM começou a operar das quatro horas à meia-noite já a partir do dia seguinte. Assim, aquele 21 de setembro foi o último dia de operação da antiga Estação Tamanduateí.

Sabendo disso, passei por lá naquela manhã, para documentar algumas cenas dessa estação, cujo destino foi a demolição. Chamou-me a atenção o abandono em volta da estação, algo que não era novidade. O trecho da Rua Vemag que dava acesso ao lado sudoeste da estação (a partir da Avenida Presidente Wilson) era de terra, e a chuva do dia anterior ainda deixava traços, como as poças d’água vistas na foto abaixo.

Fila para a Ponte Orca na saída da antiga Estação Tamanduateí

Fila para a Ponte Orca na saída da antiga Estação Tamanduateí

Por ficar nesse trecho sem saída, que fica além de uma curva em noventa graus, o prédio da estação fica escondido. Muitas vezes, quem passa pela Avenida Presidente Wilson nem percebe que ali existe uma estação de trem. Isso não vai acontecer na estação nova, por causa da imponência da estação de metrô suspensa. Ao fotografar o prédio antigo, o novo sobressai ao fundo.

Em primeiro plano, a antiga Estação Tamanduateí; ao fundo, a nova

Em primeiro plano, a antiga Estação Tamanduateí; ao fundo, a nova

entrada pelo outro lado, para quem vem da Rua Guamiranga, não é menos escondida, mas não está ao final do outro trecho da Rua Vemag, também de terra. Esse trecho tem apenas um quarteirão. No acesso, uma pequena ponte de metal permite a passagem por cima do que imagino ser um córrego.

Saída da antiga Estação Tamanduateí, em direção à Rua Guamiranga

Saída da antiga Estação Tamanduateí, em direção à Rua Guamiranga

Catraca de saída da antiga Estação Tamanduateí

Catraca de saída da antiga Estação Tamanduateí

Como parte da estação já tinha sido alterada, não sei dizer se o acesso a essa ponta da Rua Vemag sempre foi feito pela catraca da foto acima. A cobertura de parte da plataforma estava assim, com suporte de madeira e telhas de zinco — essa cobertura não é original. Essas catracas são típicas desse tipo de estação das linhas 7-Rubi e 10-Turquesa da CPTM, então a catraca sempre foi a forma de acesso; o que não sei dizer é se ela sempre ficou neste ponto, afinal, até agosto de 1977 existia ali a porteira Vemag, que permitia que automóveis cruzasse a via férrea.

A Rede Ferroviária Federal fechou definitivamente a porteira para o tráfego de veículos, para aumentar a segurança e a dar mais fluidez ao serviço de trens de subúrbio. O trânsito foi, então, desviado para o Viaduto Grande São Paulo. Aos pedestres, foi mantida uma passarela, que, pelo noticiário da época, não parece ser a mesma passagem interna que existiu na estação até 2010. Aparentemente, além desta, existia outra opção.

Plataformas da antiga Estação Tamanduateí

Plataformas da antiga Estação Tamanduateí

O improviso não é o único problema que estação enfrentou em suas últimas semanas (ou meses?). A falta de manutenção ficou evidente quando deparei com o trecho da plataforma no sentido Rio Grande da Serra mostrado na foto abaixo — por serem originalmente linhas da São Paulo Railway, as linhas 7 e 10 têm mão inglesa. Por estar dentro do limite de embarque, isso representou perigo para os usuários sabe-se lá por quanto tempo. Na plataforma oposta, vê-se que a fila da Ponte Orca ficou tão grande do lado de fora (como se vê na segunda e terceira fotos que ilustram este texto) que já invadia a plataforma da estação. A abertura da nova estação não eliminou a Ponte Orca de imediato: enquanto a estação de metrô continuasse em operação assistida, o serviço de vans continuaria a ser prestado, nos horários em que não houvesse integração, embora apenas até as 21 horas.

Plataforma danificada na antiga Estação Tamanduateí

Plataforma danificada na antiga Estação Tamanduateí

A estação em si não tinha muita coisa além das plataformas. Havia a passarela para ligar os dois lados, sendo que havia um corredor para quem já passara pelas catracas e outro para quem ainda não passara, como é de praxe em várias outras estações das linhas 7 e 10 (mas não em todas). Uma das escadas de acesso à passarela está na primeira foto abaixo. Na foto seguinte, o acesso às catracas de entrada, no lado mais próximo à Rua Guamiranga. Ao contrário das passarelas e mesmo das plataformas, esse saguão de acesso é diferente em quase todas as estações que seguem esse padrão de arquitetura. No canto direito dessa foto, é possível ver um pedaço da escada de acesso ao corredor da passarela para quem ainda não passou pelas catracas.

Escadas na antiga Estação Tamanduateí

Escadas na antiga Estação Tamanduateí

Entrada da antiga Estação Tamanduateí

Entrada da antiga Estação Tamanduateí

Encerrados os embarques na antiga estação, não seria mais possível conseguir as imagens abaixo da estação nova — ao menos não sem invasão de propriedade. Por falar na estação nova, ainda não entendo esse excesso de vermelho que a CPTM começou, nessa época, a aplicar em todas as suas estações construídas ou reformadas. Se a cor da linha não é vermelha, por que enfatizar tanto tal cor? Só porque é a cor da empresa? Não vejo muito sentido nisso.

Estação Tamanduateí: antiga e nova

Estação Tamanduateí: antiga e nova

Contraste entre as duas estações Tamanduateí da CPTM

Contraste entre as duas estações Tamanduateí da CPTM

A nova Estação Tamanduateí da CPTM

A nova Estação Tamanduateí da CPTM

Alexandre Giesbrecht

Nascido em 1976, Alexandre Giesbrecht é publicitário. Pesquisa sobre a história do futebol desde os anos 1990 e sobre a história da cidade de São Paulo desde a década seguinte. Autor dos livros São Paulo Campeão Brasileiro 1977 e São Paulo Campeão da Libertadores 1992, já teve textos publicados em veículos como Placar e Trivela.

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2 respostas

  1. Paulo disse:

    Nossa! Que falta de pesquisa.Vê-se claramente que o editor do texto jamais andou neste trem sequer para fazer a reportagem acima. “Essas catracas são típicas desse tipo de estação das linhas 7-Rubi e 10-Turquesa da CPTM, então a catraca sempre foi a forma de acesso; ” disse ele. NÃO! Essas catracas ainda operantes em todas as outras estações antigas da CPTM nessas linhas são para saída. O acesso de entrada hoje é parecido com o do metrô, no passado a catraca de três hastes em ângulo já existia, mas o acesso era exatamente no guichê, como numa catraca de ônibus. Pagou passou. Era um acesso bem mais lento, mas para época funcionava bem. Entendo que o editor é novo nasceu em 1976, mas trens dessa época ainda estão rodando e qualquer “tiozinho” informaria esses detalhes. Eu, nasci em 1969 e vi muita coisa nessas linhas. E ainda aproveito aqui para lamentar a divisão que o governo PSDB fez na linha Santos a Jundiaí da Antiga RFFSA depois CBTU e Hoje CPTM.

    • Alexandre Giesbrecht disse:

      Eu nem iria responder seu comentário, Paulo, pois achei mal-educado, mas vou esclarecer. No afã de criticar, você pegou um trecho que estava correto (embora, admito, ambíguo, pela palavra usada) e reclamou de uma suposta falta de pesquisa com base justamente nele. Se você ler com atenção duas frases antes, perceberá este trecho: “…o acesso a essa ponta da Rua Vemag…”. Ou seja, estou falando do acesso à rua (saída), não do acesso à estação. Tanto é que a legenda da foto imediatamente acima é “Catraca de saída da antiga Estação Tamanduateí”, tanto é que outra foto mais abaixo tem a legenda “Entrada da antiga Estação Tamanduateí”.

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